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Comentário sobre o PIB brasileiro, resultado 2020 e expectativa para 2021

Os fortes impactos da Covid-19 foram o principal motivo da retração na atividade econômica brasileira registrada no exercício de 2020. O resultado divulgado na semana passada veio em linha com a projeção do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, que projetou uma queda em torno de 4,1% no ano, no entanto, é importante observar que nos meses de dezembro e novembro, tivemos sinais de recuperação da economia com o registro de crescimento em torno de 0,64%.

Para tecer uma linha de raciocínio é importante observar que o ponto mais crítico do efeito pandemia foi registrado em março e abril de 2020, quando foi dado início as primeiras políticas de distanciamento social, com impacto significativo na economia brasileira. Naquele momento as previsões de queda giravam em torno de 10%. Nos meses seguintes, com a flexibilização do distanciamento, e abertura gradativa do comércio, além da liberação do pagamento do auxílio emergencial contribuíram para diminuir as expectativas de retração acentuada do PIB brasileiro. No entanto esses movimentos não foram suficientes para compensar pelas quedas significativas registradas no início da pandemia.

Em 2020, o setor de serviços foi o mais afetado pela crise, com queda acumulada de 4,5%, sendo importante o registro de picos de até 7,8%. Para compensar o comércio foi o único que registrou alta, de 1,2%, suportado pelo consumo e favorecido pelos recursos do auxílio emergencial, além das medidas de linhas de crédito, fundamentais para manter alguns segmentos de portas abertas. Já a indústria sofreu uma queda 4,5%, a maior queda desde 2016.

Esses movimentos, registram que os números do PIB só não foram piores, devido as ações governamentais, que mesmo precárias, tiveram um importante papel na manutenção da atividade econômica e sobrevivência de alguns setores. Não obstante a isso, é importante  registrar que de forma equivocada alguns economistas, no final do exercício de 2020, projetavam rápida recuperação da atividade econômica. No entanto as incertezas em relação a piora da pandemia e as dificuldades de definir um programa de vacinação eficaz, fez com que dinâmica da retomada de crescimento econômico a curto prazo, fossem novamente revistas.

Até o momento, as medidas efetivamente adotadas para controle da pandemia não parecem surtir o efeito esperado, com isso as projeções iniciais de retomada acelerada da economia previstas para 2021 estão sendo revistas.

Para auxiliar no entendimento desta equação, apresentamos algumas questões que devem ser analisadas, com objetivo de encontrar respostas para uma efetiva recuperação da atividade econômica, durante o exercício de 2021, são elas:

– Programa efetivo de vacinação que possibilite imunização de até 70% da população brasileira durante o primeiro semestre de 2021;

– As medidas de auxílio emergencial não comprometam, ainda mais, o teto de déficit público e política de controle de gastos não seja abandonada.

– O congresso, deixe de lado os interesses políticos,  consiga aprovar as reformas fiscal e administrativa dentro do exercício de 2021

– Os interesses políticos de sucessão presidencial não sobreponham as necessidades e demandas da sociedade, além da manutenção da “harmonia” mesmo que parcial entre os três poderes, executivo, legislativo e judiciário.

Após análise de possíveis respostas para as considerações acima, o cenário atual nos recomenda cautela em relação à recuperação da atividade econômica no curto prazo, mas, até o momento, essas instabilidades e oscilações ainda podem ser caracterizadas como temporárias, não impactando significativamente, os fundamentos de crescimento defendidos pela atual equipe econômica. Portanto, pelo menos até o momento é possível manter uma projeção de expansão de 3,6% do PIB para o exercício de 2021.

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